The Science behind Houseboat Amazon

“E se você tivesse a oportunidade de acompanhar uma “mulher-de-ferro” em uma expedição científica, pela Amazônia desconhecida, sabendo que isso provocaria o mesmo sentimento de admiração, paixão e emoção de ver alguém lutar um jacaré ou saltar de um penhasco em queda livre?
— Dr. Laura K. Marsh, Líder da Expedição

Estaremos navegando em uma casa flutuante sul-americana, durante a estação da cheia, na bacia do Alto Rio Jurua, no oeste do Brasil, para procurar um macaco que não é visto vivo há mais de 80 anos. Nós também mostraremos ao mundo o que é a ciência real, a coleta de dados, que parece uma aventura!

Estamos todos familiarizados com adrenalina compartilhada na mídia a partir de aventuras onde as pessoas desafiam a si mesmas ao descer rios, escalar montanhas, nos oceanos, neve ou céu. Ou com programas de entretenimento onde as pessoas capturam criaturas perigosas, raras ou difíceis para demonstrar sua emoção.

Esse projeto será como um mergulho na exploração. Vamos desenvolver todas as nossas noções de ciência e aventura, e envolver todos os que se juntarem a nós na emocionante descoberta diária da Floresta Amazônica.

The journal where Dr. Marsh published her findings.

The journal where Dr. Marsh published her findings.

Nós começamos com um mistério de museu. Em 1930, os irmãos Olalla, conhecidos por capturarem animais selvagens para museus, coletaram 36 indivíduos do ‘macaco-voador’ agora desaparecido. As peles desses macacos estão preservadas em quarto museus diferentes.

Quando a líder da expedição Houseboat Amazon Dra Laura K. Marsh revisou o gênero dos macacos parauacus [Aqui (Parte 1) and Aqui (Parte 2), ela descobriu que uma das espécies, Pithecia vanzolinii, não tem sido vista ou fotografada viva desde sua coleta original na década de 1930. Eles parecem ter desaparecido da ciência. Tudo o que a ciência sabe sobre essa espécie vem das peles e crânios. Podemos apenas imaginar como eles vivem, o que comem, e como se adaptam ao ecossistema. Agora vamos fazer parte de uma história de investigação na Floresta tropical.

A expedição Houseboat Amazon é formada por uma equipe internacional composta por sete profissionais da vida selvagem do Brasil, Estados Unidos, Colômbia e México; por um capitão e pela tripulação do Barco Bruno, de Cruzeiro do Sul; por estudantes e cientistas brasileiros; e por guias locais que estarão conosco nessa viagem.

Passaremos sobre rios exuberantes, com árvores intocadas de 30m, cobertas por suas próprias comunidades de bromélias, arco-íris coloridos, rãs venenosas, lianas, tucanos e araras vermelhas, jaguatiricas, ao som do ronco dos guaribas.  

Pithecia vanzolinii.  Female and male.

Pithecia vanzolinii.  Female and male.

Parauacus, ou macacos voadores (chamados de ‘mono volador’ em espanhol ou ‘flying saki monkeys’ em inglês), é um gênero de primatas que apresentam tamanho corporal médio, são tranquilos, discretos, vivem em pequenos grupos, tem caninos enormes (que usam para quebrar as duras cascas das castanhas, e correm tão levemente pela copas das árvores que parecem voar – com suas caudas macias e não preensil, acenando atrás deles.

A espécie alvo dessa expedição, Pithecia vanzolinii, é um macaco distinto que não pode ser confundido com qualquer outro na região. Eles são especialmente notáveis pela distinta coloração de seus braços e pernas.

Essa espécie nunca foi fotografada viva, então por isso nós só podemos apresentar a vocês uma ilustração, a qual foi baseada no que se sabe do gênero e das peles de indivíduos tomabadas em museus.

Nós vamos conduzir surveys em busca desse macaco desaparecido utilizando quatro pequenas canoas com motor (localmente chamadas de rabetas). Elas irão se aventurar todos os dias para além do nosso barco base, com um guia local e um ou dois pesquisadores. Cada canoa terá uma câmera de video GoPro e todos os membros da equipe irão documentar em vídeos todas as descobertas. Nós também iremos utilizar armadilhas fotográficas (câmeras trap) e ANABAT para gravação de ecolocalização de morcegos, para registrar absolutamente tudo o que vermos.

Nós também implementaremos o uso de drones. Os quais irão andar acima das copas das árvores, para nos ajudar a encontrar caminhos navegáveis e coletar informações sobre o dossel desconhecido da floresta.

Vamos partir durante a estação de cheia do rio Juruá, para aumentar nossas chances de encontrar o macaco parauacu desaparecido e também para facilitar nosso deslocamento na floresta, porque é mais fácil navegar pela floresta densa, do que percorrê-la a pé. Durante a estação da cheia os rios podem aumentar em 15 metros sua profundidade. . 

Vamos partir durante a estação de cheia do rio Juruá, para aumentar nossas chances de encontrar o macaco parauacu desaparecido e também para facilitar nosso deslocamento na floresta, porque é mais fácil navegar pela floresta densa, do que percorrê-la a pé. Durante a estação da cheia os rios podem aumentar em 15 metros sua profundidade.

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Os espécimes de Pithecia vanzolinii serão coletados perto de uma cidade chamada Eirunepé (a esquerda do mapa), a quarto dias de barco de Cruzeiro do Sul pelo rio Juruá. Essa é a única área conhecida de ocorrência do macaco parauacu de Vanzolini.

A expedição vai começar em Eirunepé e terá como sede a cidade de Cruzeiro do Sul, o maior centro urbano próximo a Eirunepé.

Esse é o nosso barco, que também será a nossa casa!This is our houseboat!

Esse é o nosso barco, que também será a nossa casa!This is our houseboat!

Iremos utilizer canoas como essas para as procuras diárias.

Iremos utilizer canoas como essas para as procuras diárias.

Esses são os principais canais do rio que iremos percorrer. Nosso barco-casa navegará ao longo dele, mudando de localização aproximadamente a cada semana. As canoas serão conduzidas para além da localização do nosso barco para a realização das buscas detalhadas e para a documentação de tudo o que os pesquisadores avistarem.

Esses são os principais canais do rio que iremos percorrer. Nosso barco-casa navegará ao longo dele, mudando de localização aproximadamente a cada semana. As canoas serão conduzidas para além da localização do nosso barco para a realização das buscas detalhadas e para a documentação de tudo o que os pesquisadores avistarem.

Nós não estaremos apenas em busca da espécie alvo. Porque nunca houve uma grande expedição para essa área, e nós vamos resgistrar todas as criaturas da floresta: jacarés, piranhas, sucuris, onças, antas, capivara, botos-rosas, as 15 espécies de primtas, ariranhãs, milhares de pássaros, insetos e peixes. 

A região onde esses parauacus foram vistos pela última vez é um dos últimos contínuos intactos de floresta Amazônica, e que apresenta uma incrível biodiversidade, com provavelmente mais de 600 espécies de aves, > 200 de mamíferos e >130 de anfíbios. A bacia hidrográfica do rio Juruá, tem cerca de 111.000 km² e pouco dessa área se enquadra nos habitats nacionais protegidos pelo governo brasileiro.

A seguir apresentamos imagens de alguns animais que esperamos encontrar e documentar. Como apontado a cima, além de buscarmos pelo macaco desaparecido, nós também faremos um levantamento de tudo o que for encontrado ao longo dos canais inundados, adentrando ao interior da floresta.

Planejar essa expedição, mesmo que com o objetivo principal de encontrar um macaco desaparecido, certamente significa muitas outras descobertas
— Dr. Laura K. Marsh

Embora essa região seja remota e de difícil acesso, a região é cada vez mais invadida pelas crescentes demandas das populações urbanas. Comunidades rurais, povos indígenas, incluindo tribos “isoladas” próximos a Envira, estão caçando e pescando em níveis que podem não ser sustentáveis. Preocupantes planos de incorporação da bacia hidrográfica em Florestas Nacionais, visando concessões para extração de madeira, com abertura de estradas para tráfego de grandes caminhões, resultando em elevadas taxas de desmatamento. Tememos que o extremo sudeste da Amazônia, nossa área de estudo, seja incluída no “Arco de Desmatamento” que já devastou o estado de Rondônia.

Nós estamos engajados com nossas “botas-de-borracha” nessa busca que envolve várias atividades high-tech, e que atraem a atenção para essa área da Amazônia que apresenta uma estonteante riqueza de espécies. 

Para fazer isso, nós estamos promovendo a colaboração internacional através de uma excelente companha nas mídias sociais, nas quais atingem um público globalmente amplo, possibilitando a participação de crianças, de estudantes e do público em geral tanto de áreas rurais quanto urbanas. 

Na sociedade moderna, nós estamos desconectados da natureza. Nós desejamos tocar nosso espírito selvagem. Nós geralmente nos vestimos, vamos trabalhar em um escritório fechado, famintos por nos conctar a algo nativo, desconhecido e intenso. Quando os expectadores nos seguirem ao longo da expedição, eles irão ver o espírito selvagem por todo lugar, e descobrirão que ele também existe neles. Nossa inteção com a Houseboat Amazon é também relembrar o que há em nossos corações: intensidade, curiosidade e entusiasmo.

Nós convidamos você para acompanhar nosso dia-a-dia enquanto vivemos e trabalhamos juntos, durante esses quatro meses, no barco de 18 metros de comprimento, onde três línguas serão faladas: português, inglês e espanhol.

Encontre a paixão escondida em um emaranhado de lianas, no esguicho de um boto-rosa, ou no bater asas de uma borboleta azul. E talvez, apenas talvez, no encontro com o macaco paraucu desaparecido.

Encontre seu espírito selvagem! Junte-se a nós para encontrar o seu coração nessa incrivel jornada pela selva.


Scientific Abstract (English)

An expedition in search of Pithecia vanzolinii in the Alto Rio Jurua Watershed, Brazil:  A monkey that has not been seen alive since the 1930s

We will launch an expedition into an unknown Amazonian watershed, the Alto Rio Jurua, Brazil, to find an endemic saki monkey—Pithecia vanzolinii—that has not been seen alive there for over 80 years.  Our only evidence for the existence there of this saki comes from 36 specimens in four museums.  P. vanzolinii seems to have vanished from science.  It’s a rainforest detective story. We will travel during flood season to maximize our chances of finding the sakis. The entire team—six primary researchers, six local guides, ten staff—will live for three to five months on a houseboat as a floating research station.  Shifting locations along the main river channels, we will conduct transects using small boats piloted by local guides.  Our conservation drones will search from above.  We will characterize the habitat and wildlife using photos, video, and mapping. The region where P. vanzolinii was last seen is a biodiversity Hotspqot. The watershed, some 43,000 square miles, does not fall within a nationally protected area. Although currently remote and difficult to access, it is increasingly being encroached upon by the expanding demands of urban populations. The fear in far southwestern Amazonia is that the region will become part of the “Arc of Deforestation” that has ravaged nearby Rondonia. Mounting an expedition, even if the goal is to find one missing monkey species, always means there will be new discoveries, new ways to educate the local and worldwide public, and new ways to provide conservation in a region as a result. 

Resumo (Português)

EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA EM BUSCA DE Pithecia vanzolinii NO ALTO RIO JURUÁ, BRAZIL: UM PRIMATA QUE NÃO É VISTO VIVO DESDE 1930

Nós partiremos em uma expedição para uma região pouco conhecida da Bacia Amazônica, o alto Rio Juruá, em busca de uma espécie de parauacú endêmica – Pithecia vanzolini – que não é visto vivo há quase 90 anos. As únicas evidências da ocorrência deste primata na natureza são 36 peles depositadas em quatro museus. Aparentemente, P. vanzolinii foi esquecido pela ciência. Nós viajaremos durante a estação cheia a fim de maximizar as chances de avistar os parauacús na floresta inundada. Toda a equipe – nove pesquisadores especialistas, seis guias locais, dez auxiliares de campo – ficará alojada durante cinco meses num barco que funcionará como estação de pesquisa flutuante. A busca pelo primata será realizada com barco nos principais rios, e com o uso de pequenas lanchas rápidas (voadeiras) ao longo de transectos nos canais fluviais menores. Além do uso das embarcações, drones percorrerão o dossel da floresta realizando a busca aérea pela espécie. O habitat e a vida selvagem serão registrados através de fotos, vídeos e mapeamento. A região do último avistamento de P. vanzolinii é uma área prioritária para a conservação da de biodiversidade (Hotspot). Apesar de sua importância, a área do Alto Rio Juruá, que abrange cerca de 11.136.947,00 ha, não é protegida por nenhuma unidade de conservação. Mesmo sendo uma região remota e de difícil acesso, atualmente está sendo pressionada pelas crescentes demandas das populações urbanas. Por isso, teme-se que a porção sudoeste da Amazônia seja englobada pelo “Arco do Desmatamento”, que já atinge os limites do estado de Rondônia. Mesmo que o objetivo principal da expedição seja encontrar uma espécie de primata desaparecida, ela pode contribuir com a conservação desta região, ainda pouco conhecida. Além de ser uma ótima oportunidade para novas descobertas científicas e novos meios de educar os públicos local e mundial.


Global Forest Watch, has put together a global forest interactive map where its shown the change in total forest cover and infrastructure of the zone we are going to explore.  Click the map to interact with the information: